quarta-feira, 20 de junho de 2012

A flauta de Ane Morgana Moreno e os estudantes na reitoria

   Ontem, dia 19/06/12, fui à reitoria assistir ao recital de formatura de Ane Morgana Moreno. Segundo me contaram, quando ela chegou lá, os estudantes tinham tomado o auditório. Tinha comida e papéis espalhados por todo canto, uma bagunça total.  Ela, coitada, ficou desesperada! Estava tão ansiosa por finalmente ter seu recital de formatura, e havia a possibilidade de não acontecer, devido à greve da UFBa. Além disso ainda foi adiado de uma semana, e agora, com a data finalmente definida, quando chegava aliviada, encontrava o salão tomado. Ela e a mãe foram então falar com líderes estudantis que, num belo exemplo de civilidade, deixaram tudo limpinho e convidaram os alunos a saírem do salão. Parabéns a eles. Pra que ninguém saia pensando que alunos são bagunceiros que depredam o patrimônio público.
  A apresentação de Ane se deu com uma qualidade surpreendente. Eu aqui, do meu ponto de vista amador, ficava pensando o que ela teria a perder dos grandes instrumentistas europeus. O pessoal do acompanhamento também tinha um alto nível, qualidade técnica e alma. Solo e acompanhamento se casavam perfeitamente por todo o tempo, não importando quão difícil fosse a passagem.  Profissionais da música, tinham a humildade de arrumar o palco enquanto Ane estava nos bastidores. Não esqueçam esse nome: flautista Ane Morgana Moreno. Desejamos um futuro de sucesso e felicidade para ela.


sábado, 9 de junho de 2012

Assembleias: racionalismo versus paixão

  Estive lendo comentários muito bons, postados pelos alunos, no facebook de Engenharia de Minas.
  Impressiona a seriedade que eles têm em buscar uma atitude sensata. Eu estava justamente pensando em contar que, na assembleia de 05/06/12, senti um clima muito forte, onde tudo que apoiasse a greve era aplaudido, e tudo que fosse contra, vaiado. Bem como os meninos falam lá no facebook. Pode parecer óbvio, mas é irracional.  Não se podia conceber alguém chegando ali, e defendendo a opção de não se fazer greve, mesmo que usasse os melhores argumentos.  Nem se concebia a Apub chegando ali e mostrando sua maneira de ver as coisas. Ou seja, a possibilidade de analisar o mais amplo leque de opções estava praticamente descartada, embora isso não estivesse explícito. Os estudantes soavam ainda mais irracionais, gritando a ponto de me causar dores nos ouvidos problemáticos. Depois assisti pelo youtube ao vídeo postado, mostrando o final da reunião.  Professoras dançando e sorrindo alegres, gritando: Se o professor lutar, o aluno vai apoiar.
  Mas desisti de escrever sobre isso, porque concluí que, depois de anos de ditadura, precisávamos dar mais destaque ao fato de que há um grupo entusiasmado com a luta pelos seus direitos, com a alegria de poder fazer greve e influenciar em um resultado.  Como os alunos do facebook falam, sobra uma impressão de que a alegria é mais pelo fato de se estar sendo revolucionário do que pela responsabilidade de se estar tomando uma decisão madura, mas esses exageros sempre ocorrem em aprendizes de qualquer campo.
  Lendo a opinião dos alunos, a princípio fiquei com a pulga atrás da orelha, pois são alunos de engenharia, e no meu tempo, eram eles os reacionários do campus, sempre furando greve.  Mas esses de agora são diferentes: eles defendem uma greve com objetivos claros, mesmo que seja o simples apoio aos professores. Achei que a luminosidade deles merece um apoio, para que esse entusiasmo continue, mas que sempre haja uma serenidade suficiente para se respeitar as opiniões, por mais absurdas que nos possam parecer.  Opiniões que visem construir precisam ser sempre ouvidas, para evitarmos cair em extremismos.
   Depois li, nas listas de discussões dos professores, gente dizendo que o que havia era uma luta de "com Lattes" versus "sem Lattes".  Professores que estavam rico graças à sua produção de pesquisa contra os pobres, como eu, que vivem apenas do salário básico. Uma luta de classe por razões financeiras, dentro da classe dos professores.  Parecia que os professores estavam entrando em guerra uns contra os outros, e por isso surgia a Apub-luta lutando contra a Apub. Meu Deus, será que estamos chegando a esse nível? É preciso que voltemos a ter aquela atuação política de antes da ditadura, mas com respeito e abrindo espaço para opiniões divergentes, pois são elas que melhoram o fator qualidade.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Comunicado do Comando de Greve


Recebida em 01/07/12:

TODOS AO 2 DE JULHO!!!!!
Professores,
Neste 2 de julho, data em que os movimentos sociais literalmente colocam o “Bloco na Rua” em defesa de suas próprias bandeiras, a UFBA, em Greve há mais de 30 dias, estará presente junto com os demais trabalhadores da educação, em Bloco, para defender a Educação Pública, Gratuita, Laica e de Qualidade. Estaremos em peso com a presença das Universidades Federais e Estaduais da Bahia e da rede municipal de educação. O ato promete ser grandioso e expressará a nossa força política diante do descaso dos governos federal e estadual com a educação pública. Compareçam, para depois vocês não terem que irem chorar no pé do Caboclo.

Orientações do Comando de Greve da UFBA para a organização da nossa ala,:
1.    Todos devem comparecer com a camiseta UFBA em Greve;
2.    Os que não possuem a camiseta da greve podem usar uma camiseta ou outra roupa vermelha;
3.    A Concentração de nosso bloco será no Posto BR no Largo da Lapinha, às 08h00;
4.    Preferencialmente, venham de ônibus ou de Taxi, uma vez que há dificuldade para estacionar;
5.    Não esqueça de trazer água, protetor solar e boné;
6.    Os que quiserem podem trazer apitos e panelas para fazer nosso batuque;


Informações do Comando de Greve, recebida em 27/06/12:

Nesta terça feira (26/06), às 15:30h, foi realizada, no Salão Nobre da Reitoria da UFBA, mais uma assembleia geral (AG) dos docentes da UFBA com pauta: Informes, Avaliação da Greve e Encaminhamentos. Finalmente, a diretoria do sindicato cedeu aos anseios da categoria dos docentes da UFBA e reconheceu que a categoria está em greve desde o dia 29 de maio e legitimamente representada pelo comando de greve, no qual ela retoma o seu assento e para o qual disponibiliza toda a estrutura da sede do sindicato. Ficou decidido que a diretoria da APUB irá convocar uma coletiva de imprensa para esclarecer sobre a continuidade da greve.

Com a participação recorde de 306 professores foi aprovada por unanimidade (nenhum voto contra nem abstenções) a continuidade da greve por tempo indeterminado, marcando a próxima AG para 04 de julho (quarta-feira), às 16h, no Salão Nobre da Reitoria da UFBA. Também foi marcada para o mesmo dia e local, às 14h, uma assembleia extraordinária para revogação do artigo 16 do estatuto do sindicato, artigo este que estabelece o dispositivo do referendo para aprovar deliberações sobre a greve após as assembleias.

Uma agenda de atividades foi apresentada para esta semana. Na próxima quarta-feira, 27 de junho, será realizado na Faculdade de Educação, às 14h, o debate sobre o orçamento federal e o financiamento para educação. Na quinta-feira (28/06), às 15h, na Faculdade de Arquitetura, serão discutidas as propostas de carreiras apresentadas na mesa de negociação com presença de representantes das entidades nacionais.


Vejam as novidades sobre a greve no link do Comando de greve:
 comandogrevedocentesufba.blogspot.com.br.
https://docs.google.com/file/d/0B9kK4Gngi90remNJNlFGWU92Wms/edit?pli=1

Recebido em 21/06/12:

Recebido em 15/06/12:


Nesta quarta, 13/06/2012, às 15h30, 283 professores da UFBA reuniram-se em assembleia e reafirmaram (sem nenhum voto contra e 3 abstenções) a continuidade da Greve dos Docentes da UFBA em adesão ao Movimento Nacional das Instituições Federais do Ensino Superior. O movimento grevista vem se fortalecendo com as já aprovadas Greves dos Servidores Técnico-administrativos e dos Estudantes da UFBA. Os professores reivindicam a proposta de um Plano de Carreira, melhoria das condições de trabalho e reposição das perdas salariais. Na assembleia novos componentes se integraram ao comando de greve, o qual irá promover várias ações durante os próximos dias conforme agenda disponível em
Os professores reunidos debateram e avaliaram a conjuntura em que se desenrola a greve e a possibilidade de obtenção das reivindicações, reafirmando a assembleia como o fórum privilegiado e instância máxima de deliberação da categoria. Durante os debates destacou-se que, pela primeira vez, o Governo dá sinais claros de preocupação com a greve. O Governo propôs suspender a greve por 20 dias para apresentar nova proposta de carreira, o que foi rechaçado pelas entidades presentes no comando nacional de greve em Brasília. O governo recuou na proposta e ficou agendada nova rodada de negociação em 19/06. A assembléia dos docentes da UFBA defendeu que é fundamental a manutenção da Greve nacional como instrumento de pressão para acelerar as negociações, visto que o prazo final para a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2013 é 31/07/2012. Nova assembleia dos Docentes ocorrerá no próximo dia 20 (quarta-feira) as 16h no Salão Nobre da Reitoria.

Comando de Greve dos docentes da UFBA
Salvador, 13 de junho de 2012.
  
Recebido em 07/06/12
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Comunicado aos Professores
Os professores da Universidade Federal da Bahia continuam em greve, conforme a decisão da Assembleia Geral realizada no dia 05 de junho, na Faculdade de Arquitetura, que contou com a participação de 256 docentes e deliberou, com 9 (nove) abstenções e nenhum voto contrário, a manutenção da greve e a reafirmação do Comando de Greve escolhido na Assembleia Geral do dia 29 de maio. Ressalte-se ainda que tal Comando conta com dois integrantes indicados pela atual diretoria da APUB.
A assembleia Geral é a instância máxima de deliberação da categoria e o referendo organizado e realizado pela diretoria da APUB tentou, sem sucesso, subtrair tal significado. O referendo permite a seguinte análise: houve expressivo boicote dos docentes favoráveis à greve, por compreendê-lo ilegítimo, ilegal e antidemocrático. Ademais, a maioria não participante do plebiscito já manifestou sua vontade, seguindo a decisão da assembleia e paralisando as atividades docentes. A greve na UFBA é uma realidade e a decisão sobre sua continuidade cabe apenasa uma nova assembleia.
Foi deliberado na Assembleia Geral, do dia 05 de junho, que o Comando de Greve convocasse os membros da atual diretoria da APUB a retomar o seu lugar neste comando e assim construirmos juntos a convocação da próxima assembleia e os rumos da greve.
A GREVE CONTINUA!!!
Professores da UFBA,
Todos à Assembleia do dia 13/06, às 15h00, na Faculdade de Arquitetura!!!
Reforçamos a posição da categoria que coloca a Assembleia como instância soberana para a decisão sobre a Greve pela Carreira, pelo Salário e pelas Condições de Trabalho.
Para que a greve siga crescendo e se fortalecendo, orientamos que os professores em todas as unidades que se reúnam para constituir:
1)      Um comitê de greve da unidade que tem a função de mobilizar os professores e construir as atividades locais da greve e a agenda da unidade (Propostas de temas: Carreira docente, Reajuste Salarial e Situação atual do ensino superior no Brasil, Condições de Trabalho, Demandas locais da unidade, Direito de greve e outros temas que possam vir a surgir na unidade);
2)      A indicação de nomes para compor o Comando de Greve dos Docentes da UFBA;
3)      O envio para todos os professores do documento em anexo sobre o direito de greve de servidores em estágio probatório e estímulo à participação desses nas atividades da greve;
4)      Organizar um mural na unidade para tornar publicas as atividades da greve.
Comando de Greve dos docentes da UFBA
Salvador, 07 de junho de 2012.
Todos à Assembleia! Traga mais um professor com você!!!
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Informações anteriores:

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Lições do melhor professor que conheci.


Transcrevo aqui o texto muito bom, escrito por Roberto Leal Lobo e Silva Filho, professor titular aposentado do Instituto de Física de São Carlos da USP, presidente do Instituto Lobo,  e que foi reitor da USP. Artigo publicado na Folha de São Paulo de 29/05/12, e encontrado no link abaixo.


  Aos 75 anos, morreu na semana passada, vítima de uma parada cardíaca, Almir Massambani, docente de física desde 1962 na USP de São Carlos. Seu nome é pouco conhecido, a não ser por seus ex-alunos. 
  Almir foi um professor de verdade. Não era um cientista, fez um doutoramento porque a USP exigiu, mas o que ele gostava mesmo de fazer era de ensinar, conviver e amar seus estudantes. E era amado por eles. Fazia questão que seus alunos aprendessem o que estava ensinando.
  Era professor por excelência, pois o que o motivava e preocupava era o sucesso do aluno, não o seu próprio - figura rara nas universidades de hoje, pois o bom docente que não pesquisa tem pouquíssimos mecanismos de valorização e promoção.
  Formar bem profissionais e novas lideranças pode exigir produção, aplicação e divulgação de novos conhecimentos, mas para ensinar bem é preciso vocação e preparo específico. Caso contrário, essas instituições não deveriam ser universidades, mas centros de pesquisa.
  O que mais vejo nos meus estudos sobre evasão no ensino superior: a pouca atenção que se dá ao aluno ingressante é uma das maiores causas do abandono de cursos, como já provou Vincent Tinto, o maior especialista do mundo no assunto.
  O que vemos mais é a nostalgia - por vezes revoltada - que os docentes demonstram com a qualidade dos alunos que recebem quando comparada à de épocas passadas. Isso é um fato na maioria dos lugares, mas temos que lidar com os alunos como eles são, buscando formas de fazer com que acompanhem o curso.
  Como eu sou natural do Rio (e Almir também era), sempre comentávamos que "jacaré" se pega no início da onda. No ensino, não é diferente. Se o aluno não pega a "onda" nos primeiros meses de aula, a onda passa e ele fica - ou seja, não acompanha a disciplina, é reprovado e, muitas vezes, desiste do curso. Uma perda para ele, para a instituição e para a sociedade como um todo, pois o País fica mais pobre!
  Almir aplicou esse princípio ao enfrentar uma turma problemática no primeiro ano do nosso Instituto de Física de São Carlos. Sentou-se com a turma e quis entender qual seria o ponto correto de partida - não aquele que está nos livros, mas aquele que a turma poderia acompanhar. Explicou o que precisariam saber para poder iniciar a disciplina, orientou a cada um para cobrir as lacunas por um mês e, a partir daí, iniciou o curso propriamente dito. Sucesso absoluto, reprovação baixíssima.
 Hoje, o querido Almir seria o que se chama "coach", figura tão valorizada nos processos de formação intelectual, artística ou esportiva. Quando elogiado, perguntava: "Não é obrigação do professor fazer o aluno aprender?" Esse era o Almir. Um grande professor, o melhor que conheci. E um grande amigo. 



   Eu, Gildemar aqui, fico pensando se dá para em um mês trazer os alunos a um nível que dê para acompanhar a matéria de nível real de universidade. Se terei que ensinar a somar frações, como fica o resto?

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Nossa galáxia colidindo.

Postagem enviada por Leonard:

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/05/cientistas-determinam-data-de-colisao-da-nossa-galaxia-com-vizinha.html

E mais dele:
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/05/telescopio-ve-alem-de-camadas-de-poeira-na-galaxia-centaurus.html

O que sei da greve



 Não sou a pessoa mais indicada para falar sobre a greve, mas tenho mais informações a dar que o site da Apub, a associação oficial dos professores da UFBa.
  Buscando responder às frequentes perguntas dos alunos referentes à greve, entrei no site da Apub.  Não tinha nada. O máximo era narrando sobre uma reunião na Universidade de Brasília.  Busquei o fale conosco deles e perguntei porque não havia nenhuma informação sobre a greve, ou sobre a assembleia da terça passada.  Silêncio.
  Na quarta, 30, li cedo no jornal que a UFBa tinha declarado greve a partir da quarta mesmo.  Achei que fosse sensacionalismo e fui confirmar no site da Apub. Lá eles diziam que fariam um referendo nos dia 5 e 6 de junho para decidir.  Fui pra escola e apliquei minhas provas, graças a Deus. Já tinha garantido aos alunos que, mesmo que houvesse greve, faria as provas para não ter que revisar todo o assunto quando a greve acabasse. Afinal só a greve dos motoristas estava nos impedindo de realizar as provas.
  Na terça feira de manhã, ouvi alguém dizer que a Andes, que congrega os sindicatos de escolas federais a nível nacional,  era o segmento de radicais que queria por tudo derrubar Dilma. Não posso afirmar com certeza que ouvi isso, devido à minha surdez tão conhecida dos alunos. Mas ouvi de outras fontes que a Andes é ligada ao partido PSTU, que faz tudo por uma greve. Por isso a Apub tinha deixado a Andes, majoritária no Brasil, para se filiar à Proifes. Dizem que o governo somente reconhece a Andes. Não sei porque insistem tanto nesse argumento, pois nem sempre se deve respeitar o que o governo reconhece.  Lembro do tempo que o governo somente reconhecia o sindicato dos bancários pelego, de São Paulo, e surgiu uma oposição forte que hoje é a diretoria reconhecida. 
  Também soube que a Andes, radical, tinha resolvido fazer a greve no meio das negociações com o governo, mas que a Proifes continuava pronta a negociar. Apesar disso, o governo, revoltado com a atitude da Andes, cancelou um dia antes a reunião, deixando de lado a Proifes e outra entidade que também participa das negociações. Isso estava deixando a Proifes (e por conseguinte a Apub) propensa a aderir à greve. 
  Na sexta houve uma reunião na Física para discutir a greve, a partir das 10h.  Fui para minha aula de Métodos, às 9h, ensinei um pouquinho, e às 10h fui para a Física a fim de sanar essa total falta de informação. Foi uma reunião boa. Tinha professores de todos os departamentos, vários que eu desconheço. Alexandre Gadelha, que foi um dos presentes que participaram da assembleia de terça, foi convidado a narrar o que aconteceu. Gostei, porque conheço Alexandre e sei que ele é bem imparcial e lúcido. 
  Conforme a narrativa de Alexandre, que dou todo o crédito, a assembleia tinha sido convocada para discutir coisas como a construção de nova sede, sem constar na pauta a questão da greve. Isso é fácil de conferir, pois já tinha visto (e estranhado) a pauta no site da Apub.  Num momento em que várias universidades federais entram em greve, a Apub nem coloca a questão em pauta. Os professores tiveram que lutar arduamente contra as manobras que a Apub fazia claramente para impedir que a greve fosse discutida, chegando ao ponto de distorcer às sugestões apresentadas. Quando os professores finalmente conseguiram votar a greve, foram apoiados por mais de 2/3 dos presentes (cerca de uns 200). Mas aí a Apub sacou do bolso um estatuto desconhecido, que, segundo consta, não foi aprovado em assembleia, no qual dizia que a greve somente poderia ocorrer depois de um referendo, que programaram para os dias 5 e 6 de junho. Parece que esse mesmo estatuto diz que o referendo é determinado pela assembleia, o que não ocorreu. O comando de greve foi montado, com dois representantes da Apub que entraram a contragosto.
  A Apub então disponibilizou um mero link, no seu site, para que o comando de greve  postasse suas informações. 
  Os professores da Física ficaram revoltados com essa atitude de quem deveria ser sua legítima representante, e, percebi depois, ficaram mais inclinados a aderir a greve como um protesto contra a Apub do que pelas reivindicações em si.  
 O jornal de hoje, segunda 04/06, fala das divergências políticas na UFBa, e coloca o ponto de vista da Apub.  Lendo o jornal parece que nós, professores, somos apenas um joguete da Apub-luta, facção dissidente que também não cheira bem, pois andou mandando e-mail para os professores da Apub como se fosse a própria Apub, sem explicar nada da sua condição e usando o logo da Apub oficial. Também aparece Aloísio Mercadante dizendo que a negociação atrasou por causa da morte do secretário-executivo do Ministério do Planejamento. Os professores negam essa versão. Essa morte fez prorrogar a reunião de março para maio, mas não há justificativa para não ter ocorrido em maio. 
  Mas acho que Aloísio Mercadante trabalha bem. Sempre ouvi elogios a ele, e quando tive a oportunidade de jantar com ele, a impressão que ficou foi muito boa. 
  Agora há uma assembleia marcada para amanhã, dia 5, às 15 horas na Arquitetura. O comando de greve avisou pelo link. Mas a Apub retirou o link e postou um aviso de que somente ela teria o direito de convocar a assembleia, e que essa assembleia não seria realizada. A Apub está muito esquisita. Gostaria de ouvir os argumentos deles, mas nem eles se dispõem a divulgar.  Parece que a Proifes está prestes a aderir a greve, e então a Apub terá que chegar num acordo.
    Tem o vídeo da Assembleia do dia 29 no youtube: