sábado, 29 de dezembro de 2012

A Dona Canô, meu testemunho

   Há mais de 10 anos atrás o pessoal do Ateneu Musical foi convidado a tocar na novena de Santo Amaro. Como pessoas com preconceito contra minha querida flauta doce já me pediram para não tocar aqui na Igreja do Bonfim, fui até Santo Amaro apenas para acompanhar meus amigos e assistir a famosa novena.
   Era dia do meu aniversário e Ogvalda, chefa do nosso grupo musical e amiga de Mabel Veloso, do nobre clã, resolveu me apresentar a Dona Canô como presente.  Quando ela soube que era meu aniversário, sorriu com um sorriso amplo de iluminar o mundo e me deu um abraço inesquecível. 
   Fiquei mudo. Sempre pensei que Dona Canô fosse famosa por ser mãe de Caetano e Betânia, mas, ao ver aquela mulher de perto, entendi que era bem o contrário. Eles é que ficaram famosos por ter uma mãe como aquela. 
   Que mulher impressionante! Certamente existe mais uma forma de captarmos o mundo além dos cinco sentidos, porque a vibração que Dona Canô passa é indescritível e irrefutável. Com o seu desenlace aos 105 anos, retribuo aqui o abraço recebido com esse humilde testemunho da sua grandeza.