domingo, 18 de março de 2012

Sonhei com Deus!

   No sonho de hoje, eu estava na praça de Serrinha, e do outro lado da rua tinha um altar mor. Não tinha igreja nem nada, só o altar mor entre as casas, cheio de velas, naquele estilo barroco de cidade do interior antiga, com as colunas cheias de relevo.  Aí Deus chegava e ia para o centro do altar.  Tinha entre uns 40 a 50 anos, os cabelos meio grisalhos, quase nos ombros. Não era Jesus, era Deus. Tinha a cara quadrada, uma barba bem aparada, sem ser bipartida como a de Jesus, roupão branco com um manto azul, como a Imaculada Conceição.
   Corri para pegar minha máquina fotográfica nova, para não perder a oportunidade de fotografar Deus! Ele começava a arrumar o altar, e queria pegar uma vela que estava bem na frente, na beira do altar, mas  não alcançava porque tinha muitas outras velas e imagens no meio.  Aí ele me pedia ajuda. Quer dizer, ele falava alguma coisa que eu, com minha audição maravilhosa, não conseguia distinguir.  Nessa altura eu já estava no meio da rua, procurando o melhor enquadramento para as fotos memoráveis. Perguntei: - O quê? , e fui me aproximando.  Fiquei pensando que essa não seria a melhor forma de se dirigir a Deus. Quando morava com meus pais, eles não deixavam que eu falasse "o quê?" para perguntar alguma coisa. Tinha que mostrar respeito: "senhor?", "senhora?". Na verdade: "sin-ô?", "sin-ora?". Mas já tinha falado, e se fosse consertar iria deixar Deus esperando mais tempo. Ele pareceu nem ligar para as convenções de nossa sociedade, e repetiu baixinho como sempre, apontando para a vela. Era uma vela comprida, num castiçal prateado muito bonito. Desisti de ficar perguntando e concluí que ele queria a vela, porque não dava para ele pegar. Se eu não consigo entender nem o que Deus fala, não vou ficar perguntando. Peguei a vela e estirei para ele, mas ele disse que tinha que dar o castiçal também, e o pedaço de vela da base que tinha caído, pois cada vela era uma alma que chegava, e ele tinha que recebê-la inteira. Deu as costas e foi se afastando para o centro do altar. Aí se lembrou de me agradecer, virou-se para mim, fez uma leve reverência e disse bem sério: Arigatou, com a entonação japonesa perfeita.
   Ainda bem que sonhei com Deus, porque no meio dessa mesma noite eu tinha acordado minha mulher e minha filha grunhindo alto, porque nesse primeiro sonho Luciano estava apertando o meu pescoço, e eu gritava para que alguém viesse me acudir. Eu tinha que gritar o mais alto possível, pois estava num quarto de hospital e queria que me ouvissem do corredor.  Era difícil com o cara me engarguelando.
   Acordei com o esforço. Devia ser umas 4 horas da madrugada. Olhei para o lado e minha mulher parecia dormir. Achei que ninguém tinha ouvido nada, que o meu grito tinha sido direcionado apenas para o mundo dos sonhos.  Mas quando ela se levantou para ir ao banheiro, perguntei se ela tinha ouvido.  Ela disse que sim, que eu tinha gritado várias vezes. Minha filha, ouvindo o papo, veio lá do quarto dela morrendo de rir, confirmando o grunhido esquisito que eu tinha soltado.
   Deus é simpático.