segunda-feira, 4 de junho de 2012

O que sei da greve



 Não sou a pessoa mais indicada para falar sobre a greve, mas tenho mais informações a dar que o site da Apub, a associação oficial dos professores da UFBa.
  Buscando responder às frequentes perguntas dos alunos referentes à greve, entrei no site da Apub.  Não tinha nada. O máximo era narrando sobre uma reunião na Universidade de Brasília.  Busquei o fale conosco deles e perguntei porque não havia nenhuma informação sobre a greve, ou sobre a assembleia da terça passada.  Silêncio.
  Na quarta, 30, li cedo no jornal que a UFBa tinha declarado greve a partir da quarta mesmo.  Achei que fosse sensacionalismo e fui confirmar no site da Apub. Lá eles diziam que fariam um referendo nos dia 5 e 6 de junho para decidir.  Fui pra escola e apliquei minhas provas, graças a Deus. Já tinha garantido aos alunos que, mesmo que houvesse greve, faria as provas para não ter que revisar todo o assunto quando a greve acabasse. Afinal só a greve dos motoristas estava nos impedindo de realizar as provas.
  Na terça feira de manhã, ouvi alguém dizer que a Andes, que congrega os sindicatos de escolas federais a nível nacional,  era o segmento de radicais que queria por tudo derrubar Dilma. Não posso afirmar com certeza que ouvi isso, devido à minha surdez tão conhecida dos alunos. Mas ouvi de outras fontes que a Andes é ligada ao partido PSTU, que faz tudo por uma greve. Por isso a Apub tinha deixado a Andes, majoritária no Brasil, para se filiar à Proifes. Dizem que o governo somente reconhece a Andes. Não sei porque insistem tanto nesse argumento, pois nem sempre se deve respeitar o que o governo reconhece.  Lembro do tempo que o governo somente reconhecia o sindicato dos bancários pelego, de São Paulo, e surgiu uma oposição forte que hoje é a diretoria reconhecida. 
  Também soube que a Andes, radical, tinha resolvido fazer a greve no meio das negociações com o governo, mas que a Proifes continuava pronta a negociar. Apesar disso, o governo, revoltado com a atitude da Andes, cancelou um dia antes a reunião, deixando de lado a Proifes e outra entidade que também participa das negociações. Isso estava deixando a Proifes (e por conseguinte a Apub) propensa a aderir à greve. 
  Na sexta houve uma reunião na Física para discutir a greve, a partir das 10h.  Fui para minha aula de Métodos, às 9h, ensinei um pouquinho, e às 10h fui para a Física a fim de sanar essa total falta de informação. Foi uma reunião boa. Tinha professores de todos os departamentos, vários que eu desconheço. Alexandre Gadelha, que foi um dos presentes que participaram da assembleia de terça, foi convidado a narrar o que aconteceu. Gostei, porque conheço Alexandre e sei que ele é bem imparcial e lúcido. 
  Conforme a narrativa de Alexandre, que dou todo o crédito, a assembleia tinha sido convocada para discutir coisas como a construção de nova sede, sem constar na pauta a questão da greve. Isso é fácil de conferir, pois já tinha visto (e estranhado) a pauta no site da Apub.  Num momento em que várias universidades federais entram em greve, a Apub nem coloca a questão em pauta. Os professores tiveram que lutar arduamente contra as manobras que a Apub fazia claramente para impedir que a greve fosse discutida, chegando ao ponto de distorcer às sugestões apresentadas. Quando os professores finalmente conseguiram votar a greve, foram apoiados por mais de 2/3 dos presentes (cerca de uns 200). Mas aí a Apub sacou do bolso um estatuto desconhecido, que, segundo consta, não foi aprovado em assembleia, no qual dizia que a greve somente poderia ocorrer depois de um referendo, que programaram para os dias 5 e 6 de junho. Parece que esse mesmo estatuto diz que o referendo é determinado pela assembleia, o que não ocorreu. O comando de greve foi montado, com dois representantes da Apub que entraram a contragosto.
  A Apub então disponibilizou um mero link, no seu site, para que o comando de greve  postasse suas informações. 
  Os professores da Física ficaram revoltados com essa atitude de quem deveria ser sua legítima representante, e, percebi depois, ficaram mais inclinados a aderir a greve como um protesto contra a Apub do que pelas reivindicações em si.  
 O jornal de hoje, segunda 04/06, fala das divergências políticas na UFBa, e coloca o ponto de vista da Apub.  Lendo o jornal parece que nós, professores, somos apenas um joguete da Apub-luta, facção dissidente que também não cheira bem, pois andou mandando e-mail para os professores da Apub como se fosse a própria Apub, sem explicar nada da sua condição e usando o logo da Apub oficial. Também aparece Aloísio Mercadante dizendo que a negociação atrasou por causa da morte do secretário-executivo do Ministério do Planejamento. Os professores negam essa versão. Essa morte fez prorrogar a reunião de março para maio, mas não há justificativa para não ter ocorrido em maio. 
  Mas acho que Aloísio Mercadante trabalha bem. Sempre ouvi elogios a ele, e quando tive a oportunidade de jantar com ele, a impressão que ficou foi muito boa. 
  Agora há uma assembleia marcada para amanhã, dia 5, às 15 horas na Arquitetura. O comando de greve avisou pelo link. Mas a Apub retirou o link e postou um aviso de que somente ela teria o direito de convocar a assembleia, e que essa assembleia não seria realizada. A Apub está muito esquisita. Gostaria de ouvir os argumentos deles, mas nem eles se dispõem a divulgar.  Parece que a Proifes está prestes a aderir a greve, e então a Apub terá que chegar num acordo.
    Tem o vídeo da Assembleia do dia 29 no youtube:


2 comentários:

  1. Se tanta energia que esse pessoal todo tem gasto na greve, fosse usada para dar aulas e fazer pesquisa teríamos de fato uma universidade.

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  2. Mas eu admiro e agradeço essa energia que eles tem para lutar por nossos direitos.

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